As operações
de securitização de recebíveis devem ter
maior espaço para crescimento neste ano. O movimento
pode ser estimulado pela necessidade de captação
das empresas do ramo imobiliário. Em 2007, muitas dessas
companhias aproveitaram o momento favorável para fazer
seu IPO (oferta
pública inicial de ações, na sigla em inglês).
E, por estarem capitalizadas, não tiveram necessidade
de realizar emissões de renda fixa. De acordo com levantamento
da Moody‘s, esse foi um dos motivos que contribuíram
para a queda do volume das transações de securitização
no País em 2007. No período, essas operações
movimentaram R$ 5,5 bilhões, valor menor do que o emitido
por esses títulos durante 2006, de R$ 6,1 bilhões.
A expectativa com que trabalham analistas do segmento, porém,
é que o País possa avançar em securitização,
estimulado por uma nova regulamentação dos fundos
imobiliários. Uma minuta sobre o tema está sendo
elaborada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).
A instrução está em processo de consulta
pública até 17 de março. Um dos principais
pontos do documento é o que deve dividir os fundos
imobiliários em diferentes classes: imóveis,
recebíveis imobiliários e um híbrido,
cuja carteira possa mesclar ambos tipos de ativos.
Novas empresas
Há uma tendência de surgimento de algumas novas
empresas se interessando pelo segmento e iniciando atividades.
Uma delas é a Nova Securitização. “A
instrução da CVM deve facilitar as operações
de certificados de recebíveis corporativos, cuja liquidez
pode ser trazida pela comercialização de prédios
comerciais”, diz o sócio-diretor da companhia,
Roberto Hage. Na avaliação do executivo, o mercado
também trará espaço para a diversificação
das operações. A Nova Securitização
pleiteia ao órgão regulador do mercado de capitais
a criação de um fundo lastreado em títulos
agrícolas. “Seria o primeiro do País”,
diz Hage. “Temos de tentar aproveitar as chances que
o mercado possibilita e estarmos preparados para o surgimento
delas”, afirma o executivo.
Para Alexandre Tadeu Navarro, sócio da Navarro Advogados,
ainstrução da CVM deve trazer mais segurança
ao mercado. “O ambiente regulatório pode ser
aprimorado, o que contribuirá para seu desenvolvimento”,
diz Navarro. Empresas que já atuam em securitização,
como é o caso da Rio Bravo, também projetam
um bom ano para as operações com fundos imobiliários.
“Os fundos são veículos bastante seguros
e podem ser uma alternativa viável nesse momento”,
diz o responsável pela área de fundos imobiliários
da Rio Bravo, Martim Sass.
Concorrência com bancos
As instituições financeiras — que por
lei têm de direcionar 65% de seus depósitos compulsórios
para o SFH (Sistema Financeiro Habitacional) — são
os principais concorrentes das empresas de securitização.
“Temos de mostrar que é possível estruturar,
com menos custos, essas operações”, diz
Roberto Hage. |