Roberto Hage, diretor da Nova Securitização: consulta à CVM para montar fundo agrícola.

 
Matéria Publicada na Gazeta Mercantil - Pág B3.
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O Segmento deve voltar a crescer em 2008
Instrução da CVM e necessidade de captação estimulam novas empresas
As operações de securitização de recebíveis devem ter maior espaço para crescimento neste ano. O movimento pode ser estimulado pela necessidade de captação das empresas do ramo imobiliário. Em 2007, muitas dessas companhias aproveitaram o momento favorável para fazer seu IPO (oferta
pública inicial de ações, na sigla em inglês). E, por estarem capitalizadas, não tiveram necessidade de realizar emissões de renda fixa. De acordo com levantamento da Moody‘s, esse foi um dos motivos que contribuíram para a queda do volume das transações de securitização no País em 2007. No período, essas operações movimentaram R$ 5,5 bilhões, valor menor do que o emitido por esses títulos durante 2006, de R$ 6,1 bilhões.

A expectativa com que trabalham analistas do segmento, porém, é que o País possa avançar em securitização, estimulado por uma nova regulamentação dos fundos imobiliários. Uma minuta sobre o tema está sendo elaborada pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários). A instrução está em processo de consulta pública até 17 de março. Um dos principais pontos do documento é o que deve dividir os fundos imobiliários em diferentes classes: imóveis, recebíveis imobiliários e um híbrido, cuja carteira possa mesclar ambos tipos de ativos.

Novas empresas

Há uma tendência de surgimento de algumas novas empresas se interessando pelo segmento e iniciando atividades. Uma delas é a Nova Securitização. “A instrução da CVM deve facilitar as operações de certificados de recebíveis corporativos, cuja liquidez pode ser trazida pela comercialização de prédios comerciais”, diz o sócio-diretor da companhia, Roberto Hage. Na avaliação do executivo, o mercado também trará espaço para a diversificação das operações. A Nova Securitização pleiteia ao órgão regulador do mercado de capitais a criação de um fundo lastreado em títulos agrícolas. “Seria o primeiro do País”, diz Hage. “Temos de tentar aproveitar as chances que o mercado possibilita e estarmos preparados para o surgimento delas”, afirma o executivo.

Para Alexandre Tadeu Navarro, sócio da Navarro Advogados, ainstrução da CVM deve trazer mais segurança ao mercado. “O ambiente regulatório pode ser aprimorado, o que contribuirá para seu desenvolvimento”, diz Navarro. Empresas que já atuam em securitização, como é o caso da Rio Bravo, também projetam um bom ano para as operações com fundos imobiliários. “Os fundos são veículos bastante seguros e podem ser uma alternativa viável nesse momento”, diz o responsável pela área de fundos imobiliários da Rio Bravo, Martim Sass.

Concorrência com bancos

As instituições financeiras — que por lei têm de direcionar 65% de seus depósitos compulsórios para o SFH (Sistema Financeiro Habitacional) — são os principais concorrentes das empresas de securitização. “Temos de mostrar que é possível estruturar, com menos custos, essas operações”, diz Roberto Hage.

 
Fonte: LUCIANO FELTRIN - Gazeta Mercantil
Foto: LEONARDO SOARES/GAZETA MERCANTIL
 
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